Saturday, August 10, 2013

Avô capitão

João Amado Gabriel
2013

1) Romance histórico em Porto de Mós, na aldeia do Alqueidão da Serra, escrito por um famoso habitante.
2) Baseado numa história verídica na época das invasões francesas e da guerra civil do séc. XIX.
3) História interessante, contexto profundo e escrita bastante empolgante.


Development and Clinical Uses of Haemophilus B Conjugate Vaccines

Vários autores, editado por Ronald W. Ellis, Dan M. Granoff
1994

1) O meu primeiro livro técnico na área da saúde.
2) Corolário de 1): percebi 1/3 do conteúdo.
3) Co-autoria do meu actual chefe, com capítulos relevantes para o meu trabalho actual, desde o desenvolvimento das vacinas à regulação da produção e distribuição, passando pelos estudos clínicos.


The Practice of Adaptive Leadership

Ronald Heifetz, Alexander Grashow, Marty Linsky
2009

1) A segunda sugestão do CEO da Bill & Melinda Gates Foundation, Jeff Raikes.
2) Bastante prático e com sugestões concretas de actuação, mas provavelmente mais adequado à gestão de grandes empresas. Pode ler-se continuamente (como eu fiz), mas está estruturado de forma a poder ser usado pontualmente para tópicos específicos (por exemplo, 14 páginas dedicadas a desenvolver a capacidade de inspirar os outros).
3) Uma boa leitura para muitos gestores em Portugal que estão actualmente perante um “adaptive challenge” (e não um “technical problem”) na sua organização.


Sunday, August 4, 2013

A minha leitura sobre parte do desemprego em Portugal

Samuel F. Martins
2013


Os professores, os enfermeiros e os finalistas de Direito não têm emprego em Portugal. Quando o têm, são mal pagos. De quem é a culpa?

A minha “leitura” deste tópico é certamente limitada pela ignorância de muitos factos e provavelmente todas as minhas observações são óbvias, mas não há dúvida de que a culpa é repartida entre o indivíduo e o(s) Governo(s):

A) Indivíduo
  1. O aluno, quando escolhe o curso, deve ponderar sempre os seus gostos pessoais (com o limitado conhecimento que tem deles) face à expectável procura do mercado na altura da sua graduação. Se a procura é reduzida, então o aluno tem de estar consciente de que talvez só os, digamos, 50 melhores no país terão um emprego interessante e convenientemente remunerado na área.
  2. Num sistema eficiente, os preços (neste caso, os salários) baixam quando a oferta aumenta relativamente à procura. E baixam ainda mais para o trabalhador quando a lei laboral é demasiado restritiva e, para “flexibilizar” as contratações, se passam a utilizar intermediários que absorvem ~50% do salário, como no caso dos enfermeiros. No caso dos professores, o Governo tenta pelo menos contratar os melhores; os melhores identificam-se com avaliações, que nunca vão ser perfeitas (nem no sector privado o são ou serão, mesmo com décadas de experiência); ninguém gosta de ser avaliado e colocado fora da zona de conforto, mas é assim que se evolui!
  3. Nos EUA, por exemplo, o alinhamento oferta / procura (e o incentivo ao estudo!) é “automático”, porque o aluno paga anualmente $20.000-$40.000 de propinas, pelo que o curso é visto como um investimento que tem de ter retorno. Eu acredito que existe um sistema mais equilibrado, sem propinas impeditivas para uma grande parte da população (i.e. sem propinas que reflictam directamente para o aluno o custo real do seu ensino), mas é o Governo que o tem de implementar.

 B) O Governo
  1. O Estado paga anualmente uma média de cerca de 3.500 Euros por aluno do Ensino Superior (há boas discussões sobre o facto deste valor ser inferior ao de um aluno do 2º ciclo do Ensino Básino), mas tem um controlo muito limitado do que o aluno faz com esse “investimento”. Sem dúvida que há espaço para o Governo tomar decisões mais estratégicas com um ajuste dinâmico do limite de estudantes por curso (Numerus Clausus), incluindo o zero com maior frequência. A não ser que já estejamos prontos para entrar na era da educação global...
  2. Em vez de melhorar o sistema “upstream”, os nossos impostos estão a remediar “downstream”, com estágios profissionais, subsídios de desemprego, etc. (desculpem os meus inglesismos, mas outras línguas têm expressões úteis para certas ocasiões).
  3. Finalmente, penso que a sociedade Portuguesa beneficiaria de uma maior promoção do empreendorismo (incluindo o aplauso e encorajamento quando um projecto não é vitorioso) e da flexibilidade na educação (devíamos ter licenciados em Medicina a tirar MBAs para montar empresas de biotecnologia!). Precisamos de empreendedores flexíveis para reconstruir a nossa economia (este é um bom exemplo). É tão fácil falar.

 C) Próximos passos
  1. E como em qualquer boa discussão, quais são os próximos passos? Não sei. Sugestões?
  2. Existem diversos artigos com muitas perspectivas, como este sobre advocacia, ou este e este sobre enfermagem.
  3. Uma coisa é certa, entre actuar sobre o A) ou sobre o B), eu acho que o A) está mais ao alcance de cada um de nós.